O Mal Humano: APREENSÃO (Destaque #6)

aprens-fb7

Último excerto da semana. Breve contextualização: após ver Dinis disparar contra dois polícias, Fernando vai em auxílio destes. Apesar de tudo o que aconteceu, Fernando tenta chamar o ex-colega (ex-amigo?) à razão. Dinis tenta justificar as suas acções de alguma forma, mas ambos sabem que isso não é fácil.

Sabes o que é fácil? Clicar num destes botões para adquirir esta história. Só 0,99€. Só até Domingo.

kobo-Buy-Button.fw_1

itunes-button

badge_kindle

smashwords_button

Alcancei-os sem interferências e agachei-me junto deles. Tomei-lhes a pulsação. Estava fraca, mas estava lá.

“Eles são bons agentes”, disse o Dinis. “Não tinha interesse nenhum em matá-los.”

A voz dele pareceu-me vir primeiro da esquerda, depois da direita, depois percebi que o vento não seria meu aliado.

“Foste mesmo tu?”

Não precisava de ser mais específico.

“Alguém tinha de o fazer.”

“Não podemos tomar a lei nas nossas mãos.”

“Não se trata de lei.”

Ergui-me e olhei em volta. Ele teimava em não se deixar ver. Parecia que tinha ficado arraçado de ilusionista desde a última vez que o vira.

“A mulher que encontrámos não foi a única. Sabes disso, não sabes?”

Acenei, mesmo que ele não me estivesse a ver.

“Desde que comecei a minha investigação, descobri mais nomes, mais fotos. Mais corpos.” Fez uma pausa antes de continuar. “Ainda achas que ele não merecia?”

“Ele até merecia pior, mas não podemos ser nós a decidir isso. Muito menos a fazer.”

“Se não nós, quem? Quem barrou a investigação?, quem arquivou o caso?, quem tentou destruir provas? É nesses que queres confiar?”

“Tenho de confiar em alguma coisa.”

“Então confia em mim.”

Olhei para os dois polícias inanimados. Podiam não ter sido mortos, mas teriam dores valentes quando acordassem.

“Lamento, mas não posso. Mas tu podes.”

“É tarde demais para voltar atrás.”

O Mal Humano: APREENSÃO (Destaques #4 e #5)

aprens-twt6Curiosidade sobre a minha vida pessoal que poderá não ter qualquer interesse para ti: ontem acordei perto das 11h30. Como tal, foi-me completamente impossível preparar o excerto de ontem. Para atenuar essa falha, hoje há dose dupla.

No primeiro excerto, Fernando e Dinis discutem os motivos do encerramento do caso que estavam a investigar e as implicações internas e externas dessa situação. Apesar de ambos concordarem com o que aconteceu, o modo como cada um exprime a sua desilusão perante isso é bem diferente. Nesta cena são referidos nomes que virão a fazer parte da equipa, e há também Green Sands.

Se gostares, já sabes, clica num dos botões abaixo para adquirir esta história. Só 0,99€. Só até Domingo.

kobo-Buy-Button.fw_1

itunes-button

badge_kindle

smashwords_button

“Não posso crer que eles mandaram mesmo encerrar o caso”, queixou-se o Dinis.

“Tecnicamente foi arquivado”, disse eu.

Era tudo uma questão de semântica e ele sabia disso tão bem como eu. “Encerrar, suspender, arquivar, é tudo a mesma merda. Se fosse um Zé Ninguém qualquer tinha ido logo parar com os costados à choldra. É o que dá ter amigos nos sítios certos.”

Não podia concordar mais com ele.

Estávamos numa esplanada com vista para o rio. O São Jorge cruzava o Tejo em direcção à capital. Não muito longe de nós, algumas crianças brincavam no esqueleto do velho avião, sob o olhar atento das suas mães.

“Lembras-te quando o André era assim pequeno?”

Acenei. Não tinha sido assim há tanto tempo.

“Como é que eu posso esperar protegê-los, se não sou capaz de fazer o meu trabalho como deve ser?”

Não sabia o que havia de lhe dizer, por isso tentei mudar de assunto.

“Precisamos de mais gente na Brigada.”

“Para quê? Se depois não podemos investigar os casos como é suposto, de que é que serve?”

“Foi um caso, pá!”

“É o suficiente.” Tomou um golo do seu Green Sands. “Começo a achar que isto foi uma má ideia.”

“Queres desistir ao primeiro obstáculo que encontramos? Depois de todo o trabalho que tivemos para pôr isto a funcionar? Depois de tudo o que já conseguimos?”

O Dinis atirou a beata do cigarro para a estrada. Não aprovei o gesto, mas não disse nada.

“Sei lá. Talvez esteja a falar de cabeça quente.”

“Óptimo. Como eu dizia há pouco, precisamos de mais gente.”

“Não desistes, pois não?”

“Fiz uma pequena lista de possíveis candidatos.” Tirei um bloco de notas do bolso. “O primeiro chama-se Hélder…”



 

Neste segundo excerto assistimos ao reencontro de Fernando e Dinis meses após o desaparecimento deste último. Fernando percebe que muita coisa mudou desde a última vez que tinham estado juntos, mas está longe de imaginar até que ponto.

Não querendo ser chato (mas sendo), se gostares, clica num dos botões abaixo para adquirir esta história. Só 0,99€. Só até Domingo.

kobo-Buy-Button.fw_1

itunes-button

badge_kindle

smashwords_button

A estrada na Serra não tinha intersecções para o interior rochoso ou para o abismo profundo, por isso não tardou muito para que avistasse as luzes azuis e vermelhas cintilando por entre a chuva.

Apesar da distância, conseguira alcançá-los com alguma facilidade. Demasiada facilidade, diria até. Era como se tivessem atrasado de propósito. Recusei essa hipótese de tão rebuscada que era. Provavelmente não estavam habituados a conduzir naquelas condições e iam em modo caracol.

Reduzi para os mínimos e liguei as escovas no máximo. Estava mais perto do que havia estado durante toda a viagem, mas confiava que a forte tormenta que caía me escudasse de ser visto.

Continuámos sem novidades a registar por mais alguns quilómetros. Devíamos estar em viagem há mais de meia hora.

Estaria o meu palpite errado?

O carro-patrulha fez pisca para a direita e foi engolido pela Serra. Continuei até ao ponto do desaparecimento e percebi que havia ali um caminho. Vinte metros à frente estava uma pequena casa.

O carro-patrulha parou a poucos metros da porta, os dois agentes saíram e dirigiram-se até lá. Continuei a marcha. Era difícil não me verem. E mesmo que vissem, não fazia diferença. O mal já estava feito.

Mas não me viram. Nenhum deles olhou para trás e eu pude avançar quase até ao carro-patrulha.

Foi então que ele abriu a porta. Ele, o Dinis. Tinha um ar tão lastimável quanto inquietante: barba por fazer, cabelo desgrenhado e o olhar de um homem perdido — um homem assombrado e assustado por algo que reduzira a sua aura de confiança a uma amostra frágil do que era antes.

Não conseguia perceber o que lhe tinha acontecido, mas sabia que aqueles dois polícias a baterem-lhe à porta a meio da noite não justificavam o terror que vivia no seu olhar.

Encostei o carro, saí e avancei em direcção ao trio.

Não sabia se era da chuva, do cansaço, do intenso turbilhão de emoções que fazia com que aquela tormenta parecesse insignificante mas, a cada passo que dava, parecia que a postura do Dinis se alterava de uma maneira difícil de explicar.

Parados à chuva, o único som que ali se ouvia era a água que caía. Quando as vozes ganharam alguma nitidez, o inesperado aconteceu e o Dinis viu-me.

A parte de ser visto não foi inesperada. Já o que ele fez a seguir, foi um balde de água fria do qual eu jamais recuperarei.

Não importava o que ele fizera antes, ou por que é que o fizera — importava o ali e o agora.

O momento em que o Dinis puxou de uma pistola e disparou à queima-roupa sobre os dois agentes foi o momento em que eu percebi que o meu amigo já não existia.

O Mal Humano: APREENSÃO (Destaque #4)

Durante a sua busca por Dinis, Fernando regressa a um local que já tinha sido ponto de encontro acidental num passado já distante. Desta feita, o regresso é calculado. Mas só até certo ponto. Fernando sabe onde vai, mas não ao que vai. Dado os extremos a que o amigo chegou, receia que possa ser tarde demais para o ajudar.

(Apesar de não fazer grande alarde disso, o restaurante onde esta parte da acção decorre é o mesmo da história IGUARIA, do João Dias Martins. Não é fundamental para a história, mas é uma curiosidade que fica.)

Clica no botão abaixo para adquirir esta história. Mas só se gostares mesmo do excerto.kobo-Buy-Button.fw_1

Visto de fora o espaço parecia estar igual. Certas zonas das paredes tinham a tinta a descascar, de resto era como se os anos tivessem passado ao lado. A única diferença assinalável era um catrapázio a anunciar aquele como o melhor restaurante da zona. O melhor, tinha dúvidas que fosse, mas o único era capaz de ser.

No parque de estacionamento estavam três carros civis e um carro patrulha da Polícia Urbana. Foi inevitável pensar que a sua presença ali não era uma coincidência, apesar de saber que era. A não ser que o Dinis tivesse contactado mais alguém, seria muito difícil que eles estivessem ali por minha causa. Difícil, mas não impossível. Não podia pôr de parte a hipótese de algum colega andar a seguir-me.

Saí do carro e dirigi-me ao restaurante.

A casa estava quase às moscas. Os dois agentes da PU estavam sentados ao balcão — um bebia um sumo, o outro lia o Desportivo do dia. Um dos empregados passava um pano nas mesas, enquanto o outro preparava uma caixa com croquetes.

Pronta a encomenda, fechou-a e colocou-a em cima do balcão. O agente dobrou o jornal e enfiou-o debaixo do braço.

Alcancei o balcão e cumprimentei os presentes. “Boa noite.”

“Peço imensa desculpa, mas estamos mesmo quase a fechar”, disse o empregado ao balcão.

Notei o enfado, mas não fiz caso. Estar mesmo quase não era o mesmo que estar. “Era só uma informação, se possível.”

“Diga lá.”

Puxei da foto do Dinis que trazia no bolso, desdobrei-a e exibi-a.

“Não posso dizer que conheça.”

“Ele costuma, ou costumava, vir cá”, expliquei.

“Vem cá muita gente.”

O polícia com os croquetes espreitou e houve reconhecimento. “É o Lino.”

“Lopes”, corrigi-o. “Conhece-o?”

“Sei quem é.”

Mas não ia dizer mais sem saber as minhas intenções.

“Fizemos a tropa juntos. Ele disse-me que morava para aqui.”

O outro agente terminou o seu sumo e aproveitou para se imiscuir na conversa. “Essa foto é muito recente.”

“O meu colega tem razão”, disse o primeiro agente. “Há quanto tempo é que diz que não o vê?”

Quem eram estes? Starsky e Hutch?

“Pensando bem, é melhor vir cá noutra altura.”

Preparava-me para sair quando senti uma mão agarrar-me no braço. O meu corpo reagiu por instinto: torci o braço ao agente que me tocara e encostei-o ao balcão. O outro puxou da sua pistola, mas antes que pudesse usá-la, já eu tinha a minha apontada.

Adeus discrição.

Clica no botão abaixo para adquirir esta história. Mas só se gostaste mesmo do excerto.kobo-Buy-Button.fw_1

O Mal Humano: APREENSÃO (Destaque #3)

Foi nos inícios de Outubro de 1992 que um candidato a primeiro-ministro foi vítima de um atentado num dos hotéis mais emblemáticos de Lisboa. O excerto que se segue é uma recriação dessa cena mítica e procura abordar vários temas. Por um lado, serve para demonstrar que Fernando ainda pensa em Dinis como um amigo, não como um mero criminoso. Por outro, tem noção de que as coisas já não são como eram. Tal como fiz noutros segmentos deste episódio, também aqui procuro caracterizar um personagem através da observação que ele faz dos elementos que o rodeiam, sejam eles pessoas ou situações. Espero que gostes do resultado.

Nunca ouviste falar deste atentado? Deves ser de outro universo, só pode. Antes de regressares a casa, aproveita e clica no botão abaixo para adquirir este episódio por apenas 0,99€. buykobo_16_orig

Um mês após o seu desaparecimento, ele continuava sem dar sinal de vida. Todos os dias eu ligava para ele, todos os dias apanhava o gravador. O André tinha ido para casa de uns primos em Lisboa. Esperei que gostasse de lá estar. Algo me dizia que tão cedo não tornaria a ver o pai. Nenhum de nós, arrisquei então pensar.

Um dos seguranças na suite assegurou-me que a situação estava controlada. Um tipo que nem idade devia ter para controlar a bexiga, a garantir a segurança de um alvo de alto-risco, mas tudo bem. Voltei a sair para o corredor e refiz os passos que já tinha feito vezes sem conta desde que entrara naquele hotel.

A suite de onde eu saíra era a única no nono e último piso. O acesso era feito por elevador privativo, que só funcionava mediante o uso de um cartão magnético. Havia também uma porta de incêndio que dava acesso a um lance de escadas. Experimentara a porta várias vezes para testar a sua inviolabilidade e de cada vez que o fazia tinha de ter alguém comigo para poder voltar a entrar no piso. Se não fizesse assim, teria de ir à recepção, contar o que se passara e esperar que alguém fosse comigo até ao último piso. Como disse antes, tolerado, não desejado.

Entrei no elevador — tal como a porta, podia-se usá-lo para sair, mas o acesso era só com cartão — e desci até ao segundo piso. As portas abriram e eu pus o pé perto do sensor para evitar que fechassem. Por todo o lado, seguranças revistavam jornalistas e confirmavam as suas credenciais antes de os deixarem entrar na sala de conferência. Quando a festa acabasse, a comitiva desceria até ali e ofereceria aos jornalistas que lá aguardavam uma declaração e a oportunidade de responder a perguntas sem interesse.

Procurei o rosto do Dinis no meio daquela mole humana. Nada.

Carreguei para o piso principal e afastei o pé do sensor.

Imaginei que no local onde se reunia o PNP, o cenário não devia ser muito diferente.

Atravessei o lobby e aproximei-me da porta principal. Um cordão policial mantinha a necessária distância entre o povo e os seus representantes.

Segundo o programa interno, que um dos assessores de campanha me tinha fornecido, a conferência de imprensa teria uma duração máxima de dez minutos. Depois, conforme o resultado da votação, Hermínio Tondela sairia para a rua e agradeceria, ao vivo, aos seus eleitores.

Era esta parte que me preocupava mais. Dentro do hotel estava tudo mais ou menos controlado. Lá fora, desde que o perímetro de segurança fosse respeitado, à partida não haveria problemas. Infelizmente, quando se lidava com políticos ou outras figuras do género, era certo e sabido que eles tinham a mania de fazer as coisas como lhes apetecia e não como deviam ser feitas.

Em abono da verdade, confesso que na altura esperei que o destino interviesse na forma de um tiro bem certeiro — o que me incomodava era a possibilidade de ser o Dinis a puxar o gatilho.

Pensei em sair, ir apanhar ar e fumar um cigarro. Em vez disso, dei por mim a olhar para os prédios em volta, a pensar no que faria se estivesse no lugar do meu desaparecido colega e a concluir que ele faria exactamente o mesmo que eu.

Assim que me apercebi disso, dei meia volta, atravessei o lobby e chamei o elevador. Esperei dez segundos, fartei-me, segui para as escadas e subi até ao piso da suite. Não iria valer de nada — estava a lidar com gente demasiado teimosa — mas tinha de lhes dizer o que acabara de descobrir. Cheguei até à porta e bati com força, esperando que do outro lado estivesse alguém. Olhei para as horas. Já deviam estar a descer. Tarde demais. Meia volta e ala que se faz tarde.

Do oitavo ao rés-do-chão foi um instante, mas esse instante foi demasiado longo. A comitiva atravessava o lobby com o candidato, já vencedor confirmado, na dianteira. Estaquei, assistindo ao desenrolar dos eventos, rezando para que o meu palpite estivesse errado.

Hermínio Tondela saiu do hotel Capital, acenou às pessoas e aproximou-se para cumprimentar umas tantas. Esticou a mão e tombou na carpete vermelha, com um olhar de espanto, um sorriso falso e um pequeno orifício na testa.

Já sei o que estás a pensar: será que morreu? Tudo indica que sim, mas terá mesmo? A minha resposta é simples: clica aqui para adquirir este episódio e descobrir a resposta.

 

O Mal Humano: APREENSÃO (Destaque #2)

Quando delineei o enredo de APREENSÃO, o meu principal objectivo era dar a conhecer um pouco mais sobre o personagem Fernando Pinto, visto que é um dos protagonistas da série. Consegui cumprir esse objectivo (creio), mas acabei por descobrir um pouco mais (muito mais, aliás) sobre um personagem que até então era secundária. Uma das formas mais interessantes de caracterizar uma personagem, na minha opinião, é através do modo como os outros olham para ele. No excerto que se segue, Fernando assume a sua desilusão perante as acções do ex-colega e amigo. Ao mesmo tempo, a desilusão parece ser também com ele próprio – quase como se quisesse fazer o mesmo e não tivesse coragem para isso.

Se tiveres coragem de ler isto, e se gostares, partilha e adquire. Não custa nada. (Quer dizer, custa 0,99€. É uma fortuna.)

Fernando saiu porta fora. Precisava de um cigarro. Um cigarro não. Há três anos que não tocava num. Não ia voltar a cair no vício só porque sim.

Ouviu a porta abrir; Nazaré chamou-o, mas ele não fez caso dela. Seguiu até às escadas, subiu até ao piso térreo e saiu para a rua.

Entrou no café mais próximo e pediu um Green Sands. Sem ter de pedir, o empregado trouxe-lhe um pires com amendoins para acompanhar a bebida.

Nazaré entrou no café, localizou-o e foi ao seu encontro.

“Precisamos de voltar.”

Não obtendo sequer um simples esgar, Nazaré sentou-se e serviu-se de um amendoim.

“Fernando?”

Sentiu Nazaré pegar-lhe na mão. Olhou para ela. A situação não era fácil para ele, mas também não devia ser fácil para ela. Era complicado assumir uma relação quando partilhavam o mesmo espaço de trabalho, ainda mais se uma das partes se mostrava relutante em dar o passo seguinte. Naquele momento, contudo, ela não parecia preocupada com isso. À sua frente não estava a subcoordenadora da Secção 4, ou a sua companheira de ocasiões, e sim a sua amiga de longa data, a confidente.

“Preciso de um minuto”, respondeu por fim.

Nazaré aquiesceu, fez sinal ao empregado e pediu uma água tónica com gelo e limão.

“Eu sei que não é fácil falares do que aconteceu. Mas acredita que também me custa ter de ser eu a fazer estas perguntas.”

Fernando pegou no seu primeiro amendoim.

“Se não fosses tu, seria alguém.”

O empregado trouxe a água tónica. Nazaré sorveu um pouco com a palhinha.

“Achas que ele morreu?”

“Não é costume fazer-se funerais a pessoas vivas.”

“Tu percebeste o que eu quis dizer.”

“Mesmo que não tenha morrido, para mim está morto desde aquele dia.”

“Pensava que concordavas com o que ele fez.”

“Eu entendi o porquê e concordei com os motivos, mas isso não quer dizer que tenha aprovado o que ele fez.”

Gostaste do que leste? Queres aproveitar que esta semana esta história está apenas a 0,99€ e clicar aqui para a obteres? Fazes bem.