O Mal Humano: APREENSÃO (Destaque #2)

Quando delineei o enredo de APREENSÃO, o meu principal objectivo era dar a conhecer um pouco mais sobre o personagem Fernando Pinto, visto que é um dos protagonistas da série. Consegui cumprir esse objectivo (creio), mas acabei por descobrir um pouco mais (muito mais, aliás) sobre um personagem que até então era secundária. Uma das formas mais interessantes de caracterizar uma personagem, na minha opinião, é através do modo como os outros olham para ele. No excerto que se segue, Fernando assume a sua desilusão perante as acções do ex-colega e amigo. Ao mesmo tempo, a desilusão parece ser também com ele próprio – quase como se quisesse fazer o mesmo e não tivesse coragem para isso.

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Fernando saiu porta fora. Precisava de um cigarro. Um cigarro não. Há três anos que não tocava num. Não ia voltar a cair no vício só porque sim.

Ouviu a porta abrir; Nazaré chamou-o, mas ele não fez caso dela. Seguiu até às escadas, subiu até ao piso térreo e saiu para a rua.

Entrou no café mais próximo e pediu um Green Sands. Sem ter de pedir, o empregado trouxe-lhe um pires com amendoins para acompanhar a bebida.

Nazaré entrou no café, localizou-o e foi ao seu encontro.

“Precisamos de voltar.”

Não obtendo sequer um simples esgar, Nazaré sentou-se e serviu-se de um amendoim.

“Fernando?”

Sentiu Nazaré pegar-lhe na mão. Olhou para ela. A situação não era fácil para ele, mas também não devia ser fácil para ela. Era complicado assumir uma relação quando partilhavam o mesmo espaço de trabalho, ainda mais se uma das partes se mostrava relutante em dar o passo seguinte. Naquele momento, contudo, ela não parecia preocupada com isso. À sua frente não estava a subcoordenadora da Secção 4, ou a sua companheira de ocasiões, e sim a sua amiga de longa data, a confidente.

“Preciso de um minuto”, respondeu por fim.

Nazaré aquiesceu, fez sinal ao empregado e pediu uma água tónica com gelo e limão.

“Eu sei que não é fácil falares do que aconteceu. Mas acredita que também me custa ter de ser eu a fazer estas perguntas.”

Fernando pegou no seu primeiro amendoim.

“Se não fosses tu, seria alguém.”

O empregado trouxe a água tónica. Nazaré sorveu um pouco com a palhinha.

“Achas que ele morreu?”

“Não é costume fazer-se funerais a pessoas vivas.”

“Tu percebeste o que eu quis dizer.”

“Mesmo que não tenha morrido, para mim está morto desde aquele dia.”

“Pensava que concordavas com o que ele fez.”

“Eu entendi o porquê e concordei com os motivos, mas isso não quer dizer que tenha aprovado o que ele fez.”

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