O Mal Humano: APREENSÃO (Destaque #1)

Nota: esta semana, APREENSÃO vai estar a 0,99$ em todas as lojas. Aproveita.

Em Agosto de 1992 no top dez dos álbuns mais vendidos em Portugal (e por conseguinte das músicas mais passadas nas rádios nacionais) estavam obras como o Use Your Illusion II, dos Guns N’ Roses, Palavras ao vento, dos Resistência e o Nevermind, dos Nirvana. Todavia, não foi com nenhuma destas três bandas (ou qualquer outra que fez parte desse top dez) que eu imaginei o excerto que trago hoje.

Depois de uma semana de destaque ao episódio zero de O MAL HUMANO, A ARCA, resolvi voltar atrás no tempo, até ao início dos anos 90, para dar a conhecer um pouco mais sobre os primórdios deste universo. Em APREENSÃO (episódio 2) o leitor é apresentado aos dois elementos fundadores da Brigada de Crimes Macabros, Dinis Lopes e Fernando Pinto, e fica a saber um pouco mais sobre as origens desta força policial secreta.

Contextualizando o excerto que se segue, Dinis e Fernando estão a meio de uma vigilância relacionada com uma investigação a um político proeminente, suspeito de envolvimento em tráfico de crianças. São três da manhã e o rádio está sintonizado na LX-FM. O programa Madrugada Avulsa está prestes a terminar a sua primeira hora.

Se gostares do que leres, clica aqui para obter esta história.

O Dinis baixou o volume do rádio antes de perguntar: “Sabes o que é que eu não gosto disto dos casos partilhados?”

Pousei os binóculos no colo e voltei a pôr o volume como estava. Não sei se era por aquele locutor ter o mesmo nome que eu, mas gostava de ouvi-lo falar. “Não seres tu a dar ordens?”

O Dinis soltou um resmungo e girou o botão do sintonizador, percorrendo o espectro radiofónico. Conhecíamo-nos demasiado bem para haver surpresas.

“É só rádios brasileiras, agora”, queixou-se.

“Onde estava, estava bem.”

“Não sei porque é que gostas tanto de ouvir este gajo. Passa mais tempo a falar do que a pôr música.”

“Se a rádio fosse só passar música não eram precisos locutores. Bastava meia dúzia de cassetes.”

“És mesmo antigo, tu. Hoje em dia já ninguém usa cassete. É tudo em CD.”

“Em alguns sítios ainda usam.”

O Dinis encolheu os ombros. “O André sempre vai para a dos tios este ano.” Voltou a sintonizar a rádio na estação inicial. “É a primeira vez que vai para lá sozinho.”

Peguei nos binóculos e retomei a observação. Uma figura caminhava sorrateira na ponte aérea.

“Tenho movimento na ponte”, anunciei.

O Dinis baixou o volume do rádio, pegou no walkie-talkie e deu o alerta. “Temos movimento na ponte. Estejam atentos. É possível que seja o nosso alvo.”

A figura parou em frente à porta que dava acesso ao nosso prédio.

“Parou”, disse eu.

Passados alguns segundos, a figura afastou-se da porta e retomou a caminhada pela ponte. Continuei a acompanhá-la até ao virar da esquina e depois baixei os binóculos.

“Estás nervoso pelo André ir para lá?”

“Um bocado.”

“E ele?”

“O André já tem quase quin─”

O som de um tiro interrompeu o Dinis.

Antes que eu pudesse pegar no walkie-talkie para alertar os colegas do outro lado, já o Dinis ia na rua, de pistola em punho, avançando em direcção ao número 53. Acreditando que eles tinham escutado o tiro e dariam o alerta, desliguei o auto-rádio e tirei as chaves da ignição. Saí do carro e fui atrás dele.

Gostaste do que leste? Queres ler mais? Aproveita o preço especial da semana e clica aqui para obter esta história.

Se não for pedir muito, deixe a sua opinião

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s