O Mal Humano: A ARCA (Destaque #3)

Continuando o destaque da semana, eis mais um excerto de A ARCA. O momento que se segue mostra-nos um Valter apreensivo por ter usado a arca quando não era suposto. Apesar de estar reunido com o amor da sua vida, ele sabe que não poderá ficar ali para sempre. A cena é interrompida por um evento bizarro e inesperado que algum leitor mais atento reconhecerá não só de um destaque anterior, mas também de outra história.

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Pouco tempo depois de Ana sair da sala, uma névoa sombria obscureceu toda a divisão. Valter pousou o jornal e olhou em volta. As peças no tabuleiro de xadrez estavam agora tombadas e as paredes manchadas de gordura e pó, como se lhes tivessem dito que a sua brancura não passava de uma ilusão. Através da persiana aberta vinha uma estranha luminosidade branca que não alcançava o interior da casa.

O mundo estava a mudar, mas não era isso que o incomodava, e sim o facto de o relógio ter mudado para as 11:09, um minuto depois de descobrir que Ana havia partido.

A mudança de tempo preencheu-o com uma angústia que ele achava ter ultrapassado. Seria essa a consequência de se ficar dentro da arca mais do que o permitido?

Pensou nos últimos meses. Se ao menos tivesse prestado mais atenção aos sinais e agido mais como um marido preocupado ao invés de descartar responsabilidades só porque ela dizia (jurava até) que estava tudo bem; se o seu interesse principal tivesse sido ela em vez do cumprimento da sua função como guardião da arca, Ana ainda estaria viva. Acrescentou: poderia, não estaria. Apesar de esperançoso, era uma mera hipótese.

Levou a mão ao bolso e arrependeu-se de não ter trazido a chave. Algo de muito errado se estava a passar. Fosse por ter permanecido ali tempo demais, ou por um outro motivo qualquer, não conseguiria perceber do que se tratava se não saísse dali. E sem chave isso seria difícil.

Na sua arrogância sem rumo, confiara que conseguiria contrariar o efeito da arca, que a sua alegria ao rever a mulher da sua vida suplantaria a dor de saber que estava a viver uma ilusão. Não. Não uma ilusão: uma possibilidade, uma alternativa ao que poderia ter sido. No caso dos outros viajantes, como meros observadores; no seu caso, com independência total de pensamento e acção.

Procurando um meio de anular aquela situação, avançou para a porta e saiu para o corredor.

O rasto de sangue no chão arrastou-lhe o olhar até à porta da cave. Estava escancarada, mas para ele era como se existisse ali uma barreira inultrapassável.

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MH-BRR (119)

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