O tempo não ajuda, se nós não o ajudarmos

Ao fim de quase dois meses de férias (um regular, o outro extra), regressei finalmente ao trabalho e, por consequência, ao tempo limitado. Antes das férias, prometi a mim mesmo que iria aproveitar esse tempo ao máximo. Iria rever não sei quantas histórias, iria terminar de estruturar enredos, acertar detalhes, etc. Pelo meio, iria escrever uma boa quantidade de artigos para o grupo Polícia Bom, Polícia Mau. Propus-me a cumprir um elevado número de objectivos e no final o que é que obtive?

Alguma coisa. Mas nada a ver com o que pretendia atingir. É verdade que pouco é melhor que nada, é verdade que é melhor (pelo menos para mim) passar um dia (ou mais) de volta de um pormenor de um parágrafo, que vai ser determinante para o resto da história, do que escrever seis ou sete páginas seguidas. Eu tenho um mínimo diário de uma página (sim, é pouco, mas antes isso do que nada), mas é-me mais gratificante quando consigo resolver um determinado encalhe do que o cumprimento desse objectivo de escrita diário.

Onde é que eu quero chegar? A isto: se calhar estabeleci objectivos muito altos. Ou pelo menos, demasiados objectivos. Se tivesse atingido estes objectivos fora do período de férias (porventura um pouco mais do que dois meses), poderia dizer que ultrapassei as minhas expectativas, uma vez que nem de longe arriscaria a comprometer-me com tanto em tão pouco tempo.

Mas o que é tão pouco tempo? Eu não trabalho full-time. Saio de casa à uma da tarde e, regra geral, chego antes das onze. Tenho a manhã inteira em casa e mais uma hora à noite (ou mais), sem falar com as viagens de barco e comboio, que somadas dão mais uma hora. Sim, nos transportes públicos há pessoas que tendem a fazer barulho. Mas apesar desse senão, não haverá forma de aproveitar esse tempo?

A grande frustração da falta de tempo é não o aproveitarmos quando o temos. Porque me deito tarde, nem sempre tenho energia (ou tempo) para conseguir escrever alguma coisa de manhã; porque não consigo escrever de manhã, decido que irei escrever durante a viagem; como não consigo escrever durante a viagem, resolvo escrever à noite – só que já estou cansado e há mensagens para responder e uma família a quem dar atenção. Tive tempo para escrever? Tive. Só que não o aproveitei.

E isto repete-se, dia após dia. Até que chega um fim-de-semana grande, as férias do Natal, do Carnaval, da Páscoa e eu lá consigo fazer um pouco mais. O problema é que eu não posso, não devo, estar dependente dessas interrupções para conseguir fazer alguma coisa. O tempo é um condicionamento tão válido como a caneta ficar sem tinta. Assim como devemos ter outra caneta de reserva para continuar a escrever, podemos e devemos gerir o tempo para que este possa ser aproveitado da melhor forma. Não há falta de tempo, o que há é um mau aproveitamento.

Qual é a solução que eu proponho? Ser paciente e organizado. Pegando no exemplo do meu projecto actual, ando às voltas com O Mal Humano há mais de treze anos. Se eu queria já ter isto escrito e publicado? Claro que sim. Tal como outros escritores, tenho a gaveta cheia de histórias por escrever – algumas das quais não me importarei que fiquem pelo caminho, mas há uma ou outra que me custa não estar a trabalhar nela. O tempo nunca vai ser suficiente. E quando há tempo, às vezes não há vontade. Ou há tempo e vontade, mas não há oportunidade. Porque aparece outra ideia, porque há qualquer coisa para fazer, porque não vivo sozinho, etc. O importante é ser paciente e aproveitar o tempo que há da melhor forma, estabelecendo objectivos realizáveis a curto-prazo. O melhor dos mínimos diários é que parecem pouco no dia a dia, mas no final, tudo somado, ainda dá uma quantidade generosa.

Os meus objectivos para hoje são escrever mais dois artigos, escrever uma página duma história e continuar a revisão de outra. Poderei escrever mais do que os dois artigos que tenho em vista, ou mais do que duas páginas de história, mas já ficarei contente se atingir o mínimo proposto.

E tu, pessoa também sem tempo, como é que lutas contra esse sacana impiedoso? Reduzes os teus objectivos àquilo que achas que consegues alcançar no dia a dia? Ou esforças-te por contornar esse obstáculo?

Se tiveres tempo, responde nos comentários e partilha e faz gosto e essas cenas todas.

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