O Mal Humano: o último prólogo

Quando comecei a desenvolver O Mal Humano, uma das primeiras ideias foi escrever uma série de pequenas histórias, cada uma protagonizada por uma diferente personagem. O objectivo serviria dois propósitos, além de servir para divulgar o projecto: por um lado apresentaria os personagens; por outro, ajudar-me-ia a conhecê-los melhor.

Em relação a esta última parte, confirma-se. Apesar das caracterizações bem detalhadas que desenvolvi antes de começar a escrever cada história, o comportamento deles no papel tende a desviar-se das minhas previsões e concepções de forma inesperada e isso é algo que eu adoro.

Aos poucos, o que eu concebi inicialmente como meros cartões de visita, foi-se tornando algo mais relevante. Não apenas uma parte da história principal, mas uma parte fundamental; um alicerce que suportará toda a estrutura. Não me preocupei quando percebi que isso estava a acontecer. Armado em bom, aceitei o desafio e até resolvi aumentar a parada. Como?

Segundo as estatísticas no site Smashwords, tenho vendido muito no Brasil. Com isso em mente, decidi que uma das protagonistas de O Mal Humano seria uma ex-inspectora federal, vinda do Brasil (até aqui tudo bem), e que o seu prólogo decorreria por inteiro no Brasil (também nada contra). O momento em que a situação descambou (e é nesse ponto que eu me encontro) foi quando eu resolvi escrever a história toda em português do Brasil.

O raciocínio (vamos chamar raciocínio para não dizer estupidez) foi este: faz algum sentido uma história passada no Brasil, escrita em português de Portugal, só com os diálogos em brasileiro? Para mim não fazia, nem faz. Mais depressa não contava a história do que a contaria dessa forma. (In)felizmente, esta é uma história que quer ser contada. Na minha mente já a li toda – o difícil está a ser passar isso para o papel. É bem capaz de ser uma das histórias que mais me tem custado a escrever (senão a mais difícil) mas, ao mesmo tempo, tem-me ensinado  muita coisa.

MH (166)

A mais importante é que conseguir falar e ler bem em português do Brasil, ter facilidade com os termos, com a pronúncia, vocabulário, etc., não é o mesmo que ter facilidade em escrever. Achei que o treino intensivo que fiz durante a minha infância à base de Tio Patinhas, Recruta Zero e Turma da Mónica, assim como os anos de contacto directo e diário com brasileiros, me tivessem fornecido as ferramentas necessárias para construir uma história nesse “idioma”. Mais facilmente escrevia esta história em inglês do que em brasileiro.

Tudo isto me leva a duas conclusões. Em primeiro lugar, devia ter pensado melhor antes de me meter nisto. Segundo, os desafios existem para ser ultrapassados. Esta história está a ser difícil de escrever, mas estou confiante que o esforço vai valer a pena.

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