O Mal Humano: Ponto de partida

Quando tento avaliar a minha carreira de escritor, esbarro sempre com uma conclusão desagradável: o que eu fiz nunca será tão bom como aquilo que eu gostaria de vir a fazer. Ou de ter feito. É verdade que já fiz muita coisa (dois romances, vários contos, uma longa-metragem, várias curtas, uma série de televisão, etc.), mas sofro de insatisfação crónica. Além disso, como perceberão ao ler este artigo e este, não é só com as minhas histórias que eu tenho de me preocupar.

Durante os últimos anos tentei partilhar a minha criatividade, desenvolvendo histórias para três entidades distintas. Se por um lado essa decisão atrasou a reescrita do meu terceiro romance, A Voz, por outro permitiu-me descobrir novas histórias e, sobretudo, novas formas de contar histórias, que de outro modo não teria descoberto.

É claro que nem tudo foi positivo. A falta de tempo, por exemplo, bem como outros factores, obrigou-me a pôr A Voz e O Quarto Vazio de parte e a retirar da gaveta um projecto bem mais antigo, O Mal Humano, ao mesmo tempo que assinava contos em nome de Ricardo Neves e de João Dias Martins.

Em cada um tentei explorar géneros diferentes, ideias diferentes, muito embora possam ser apontados vários elementos comuns a todos eles. Graças a estas pequenas histórias tenho aprendido muito sobre mim mesmo, sobretudo sobre a minha maneira de encarar o ofício da escrita. Estou certo que não terei sido o único a beneficiar dessa aprendizagem, mas os outros logo falarão de si. Sei que tenho ainda um longo caminho a percorrer, porém sinto-me em condições de anunciar que o futuro reserva algumas boas surpresas.

Digo isto com (quase) total segurança. Sem anunciar ainda demasiados detalhes, o que se passa é que um dos meus projectos de grande amplitude (O Mal Humano) vai ser reformulado de modo a poder integrar dois projectos assinados por outros dois autores, um por Ricardo Neves, outro por João Dias Martins. A decisão veio na sequência da ideia de fazer o chamado crossover entre os três projectos. Para que tal possa vir a acontecer (e funcionar em pleno), é necessário que decorram os três em simultâneo; o que obriga a atrasar umas coisas e a adiantar outras. É uma medida arriscada, sobretudo para O Mal Humano mas creio que trará benefícios para todos – não apenas “nós os três”, mas também para os nossos leitores. Fiquem atentos.

Enquanto isso podem deixar as vossas perguntas e comentários, tanto aqui, como no Facebook ou mesmo no Goodreads. (Aproveitem também para deixar Likes e adicionar (alguns d)os meus contos às vossas largas estantes.)

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