Na sombra das palavras [Opinião]

O Livreiro, de Fábio Ventura ***

Quantas histórias existem numa livraria? Perguntem a um livreiro e é provável que ele vos diga: «mais do que há livros».

A ideia de uma mulher feita de papel e de histórias é interessante e, mais importante, está bem executada. Por vezes há um ou outro excesso de informação, mas isso é uma questão mais subjectiva do que técnica. O único ponto menos positivo foi a mudança de cenário no final. É uma explicação que não faz falta. Convém lembrar que nem todas as perguntas precisam de ter resposta.
A Lista de Deus, de João Ventura **

O mundo vai acabar. Um dia. Eventualmente. Nesta história acaba mesmo. A curiosidade do Homem assim provoca. A história em si tem muitas entrelinhas e padece de um problema grave: a falta de espaço para um desenvolvimento mais pleno e eficiente. As situações sucedem-se depressa demais e obrigam o autor a recursos como diálogos demasiado informativos porque não há tempo (ou páginas) para mais. É como mudar de um T4 para um T1 – com jeito cabe lá tudo, mas não é a mesma coisa.

O Panóptico, de David Camarinha **

Uma história com boas frases, excelentes passagens, mas ao mesmo tempo algo confusa. Demasiados elementos para pouco espaço e um uso da pontuação criticável, ainda que ousado. Demonstra bem que, antes de tentar inovar, primeiro convém saber fazer as coisas da forma mais tradicional.

O Labirinto de Papel, de Ângelo Teodoro ***+

Esta espécie de antecâmara do Inferno em ambiente de escritório faz-me lembrar o Inferno de Crowley (Sobrenatural) no tempo em que este reinava no submundo e em vez de chamas e enxofre, o sofrimento era infligido por filas e burocracia. Nesta história espera-se pela morte, perdão, pela amortização. Apreciei sobretudo a sobriedade da narrativa. Não há sobressaltos, não há pressas em chegar ao fim, até porque este não é surpresa nenhuma. O que inquieta mesmo é a antecipação…

Tabula Rasa, de Mário Seabra ****

Quanto tempo terá demorado o autor para escrever uma frase tão magnética como aquela que abre esta história? Se as outras histórias são pratos de 5€ e 10€, Tabula Rasa é uma sobremesa de 20€. Bom ritmo, boa escrita, diálogos reais, personagens bem diferenciados através de poucos traços. Encerra bem esta antologia e compensa tudo o que de menos bom ela teve. É uma história que funciona bem no formato conto, mas o tema e suas repercussões tem potencial para mais, muito mais. Mário, faz-te às teclas.

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