A IMAGEM – um excerto

Aqui fica mais um excerto do meu segundo romance, A IMAGEM. Podem adquirir uma cópia grátis em formato electrónico em https://www.smashwords.com/books/view/490073 ou em papel, através do email joel.gomes@gmail.com.

«Luís não ficou triste por ser levado para longe da sua família. A vida tornara-o demasiado apático para se importar com essas coisas. Lembrava-se de ter pensado quão diferentes as coisas iriam ser dali por diante.

O homem que o levara, e que o treinaria até ele estar pronto para treinar outros, era de poucas palavras e de menos paciência ainda. Não sabia que idade teria, mas palpitava que fosse mais novo que o seu pai, talvez uns dez anos.

A imagem do pai de olhos arregalados, tossindo sangue, antes de tombar para sempre, era das melhores recordações que possuía. Por todas as vezes que ele lhe pusera a mão em cima – e não tinham sido poucas – e que sonhara retribuir à altura. Se a sua vida nova conseguisse prepará-lo para que mais ninguém lhe tocasse, mal podia esperar para começar.

Cedo descobriu que, embora cheia de propósito, a sua nova vida não seria isenta de dor. O homem que ele aprenderia a chamar Mestre, apesar de estar sempre pronto a ajudá-lo, a estimulá-lo, tinha pouca paciência para desempenhos menos que perfeitos.

Durante o dia exercitava o corpo e era instruído no manuseio de armas e artes marciais; à noite recebia a instrução que nunca tinha tido. Apesar de nunca ter posto os pés numa escola, depressa aprendeu a ler e a fazer contas. Era um aluno dotado e esforçado e isso notava-se no seu rápido progresso.

O seu treino durou até completar dezoito anos. Não dezoito anos de vida, mas dezoito anos desde a noite em que a sua vida havia recomeçado. Nesse dia, recebeu apenas uma fotografia com um nome no verso.

Não seria o primeiro alvo a abater, mas seria o primeiro cujas etapas do processo de eliminação ficariam todas a seu cargo. Até então, limitara-se a executar o golpe, agora teria de planear o ataque, antecipar imprevistos e activar contingências.

O alvo era um banqueiro que cometera o erro de tentar enganar o Grupo, desviando fundos para uma conta fantasma. Luís não percebia muito desses negócios, mas sabia que a remoção daquele indivíduo seria suficiente para dissuadir futuras tentações.

Apesar do sucesso, a sua integração com os membros de igual escalão continuou tão complicada quanto antes. Boa parte deles partilhava algo que ele não podia sequer sonhar ter: um passado comum.

Como descendentes directos de outros membros, desde o nascimento que as suas vidas tinham um propósito inerente – um rumo. Para eles não importava o quanto ele se esforçava: Luís seria sempre olhado como um intruso.»

 

Gostaram do que leram, ou nem por isso? Digam de vossa justiça.

 

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