Tempo

Tempo: aquilo que nunca há a mais ou mesmo em quantidade suficiente.

Quando escrevo uma história preciso de tempo. Tempo para pensar na ideia, tempo para a desenvolver. Tempo para pesquisar, se for caso disso. Tempo de planificar, tempo de escrever, tempo de rever, tempo de reescrever, tempo de tornar a rever,…

O problema é que eu trabalho, logo não tenho tempo. Não tanto quanto gostaria, isto é. Por vezes esta falta de tempo torna-se um obstáculo, porém nunca chega a ser um factor impeditivo. Pode ser, mas só se deixarmos. Na lista de escritores conhecidos que tinham uma ocupação principal sem ser a escrita encontram-se nomes como Douglas Adams, Nabokov, Murakami, Orwell, Palahniuk ou Kafka, entre muitos outros.

O que é todos eles têm em comum? Três cousas: paixão, força de vontade e disciplina.

No final do mês passado voltei a usar uma ferramenta de escrita muito útil inventada pelo Jerry Seinfeld, chamada Don’t break the chain. A ideia é muito simples e, pela minha experiência, igualmente eficaz. Basta ter um calendário grande, daqueles de pendurar na parede, um objectivo diário de escrita a atingir, seja em palavras, páginas ou tempo e ir marcando os dias – todos os dias para não quebrar a corrente.

Neste momento estou a preparar um novo projecto literário, algo que esteve para ser uma série de televisão (um dia, eventualmente, talvez, porque não sonhar?) até que resolvi reformular tudo e transformar cada episódio numa novela. Por se tratar de um projecto ambicioso, decidi lançar alguns prólogos, cada um protagonizado por um diferente personagem da série.
Querem a prova de que o método Don’t break the chain resulta? Os dois primeiros prólogos foram escritos sem o auxílio desse recurso, os dois segundos foram escritos com. Demorei dois meses para escrever a primeira e a segunda história e duas semanas e meia para a terceira e a quarta, tendo sido esta última escrita numa única semana.

Só para esclarecer. Em primeiro lugar, os tempos de escrita que acabei de mencionar referem-se apenas ao primeiro rascunho. E segundo, eu tenho noção que este recurso consiste apenas num papel e num objectivo, mas isso não quer dizer que não resulta. Sobretudo se juntarmos o factor ego.

A validação é muito importante, tanto para os mais modestos, como para os mais arrogantes. Ver as nossas histórias lidas e reconhecidas é do mais importante que podemos ter enquanto autores. Mas isto só acontece depois delas estarem escritas e publicadas. Antes disso, quem nos dá valor? Quem nos estimula? Nem todos têm uma cara-metade para tratar disso. Quem, então? Nós. Pode soar a auto-gratificação, mas é mesmo assim.

Eu gosto de olhar para o meu papel na parede. Gosto de ver as cruzinhas, representando mais um objectivo diário atingido. Gosto de pensar que falta menos um dia para determinada história estar concluída. Nem todos os dias são excelentes ou bons (alguns são mesmo uma merda),porém o que importa é escrever. Mais tarde haverá tempo para revisões.

E vocês, que desculpas usam para procrastinar; e como é que contornam isso?

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