A Imagem: Actualização de estado

imagem.jpgFaltam menos de cinco meses para o grande dia e ainda há muito para ser feito, incluindo terminar de vez as revisões. O tempo não é amigo e às vezes a vontade também é escassa, mas tem de ser. O que mais me preocupa, no entanto, não é o livro em si, e sim tudo o resto. O esforço não compensa se depois não existir retorno.

Apesar de ainda não saber qual vai ser a tiragem de A Imagem, posso adiantar que vão existir edições especiais e edições especialíssimas, ambas limitadas. Mais detalhes em breve.

Enquanto isso, aqui fica mais um excerto:

«Ainda antes de abrir os olhos já o homem sentia a areia onde estava deitado e o som do mar dizendo-lhe que estava numa praia. A cabeça parecia estar em centrifugação e o estômago para lá caminhava. Um gosto amargo na boca sugeria que tinha estado a vomitar. Tudo somado, uma praia não era o pior dos sítios para se acordar com uma ressaca descomunal. O problema era saber onde estava. Que era uma praia já sabia, mas qual? E como é que tinha ido ali parar?

Havia também o pormenor de não se lembrar quem era, mas achou essa falha uma coisa passageira. Saber quem era, não lhe diria onde estava. Ou diria? Talvez fosse um milionário excêntrico, numa praia privada, que batera com a cabeça em algum lado.

Resolveu pôr-se de pé e começar a andar. O movimento inesperado foi mal recebido pelo seu corpo e o homem sentiu todo o seu sistema entrar em colapso. O chão subiu contra ele. Tentou aparar a queda: torceu um pulso e abocanhou areia.

Respirou fundo várias vezes até se sentir pronto a tentar novamente. Desta vez, não com tanta pressa. Pôs-se de pé e esperou um bocado para ver como se aguentava. A cabeça latejava como se tivesse sido pontapeada. Talvez tivesse, lembrava-se lá ele. Achando que era seguro avançar, desde que o fizesse devagar, avançou em direcção à água.

Um pouco de água fria na fronha ia-lhe fazer bem. Pena não ser boa para beber. A sua garganta seca agradeceria; já para não falar do sabor a vomitado que tinha na boca. Contentou-se com o que tinha e continuou a andar.

Escutou alguém tossir e parou de imediato. Olhou em volta, escutou; não conseguia perceber se era um ou vários, onde estavam, só sabia que não estava sozinho. Talvez alguém que tinha vindo do mesmo sítio que ele? Alguém capaz de saber quem ele era?

Pareceu-lhe uma hipótese animadora, mas o seu instinto desaconselhou-o a revelar a sua presença. Ao invés, aliciou-o a acelerar o passo em direcção à água, esperando que esse esforço não fosse mal recebido como antes.

À beira da água encontrou um pequeno barco. A avaliar pelo aspecto era um milagre não ter ido ao fundo. Subiu a bordo e agachou-se para espreitar por baixo dos bancos. Só quando já estava acocorado é que percebeu que tinha tido uma ideia estúpida. Ou talvez não. Talvez se tivesse fósforos ou um isqueiro conseguisse usar isso para ver se estava ali alguma coisa.

Levou a mão ao bolso, mas parou antes de o alcançar. Mas que raio estava ele a fazer? De onde vinha essa curiosidade, essa paranóia? Continuou o movimento e descobriu nos bolsos laterais uma mini-lanterna e algo afiado. Não tinha aspecto de ser uma faca, mas talvez pudesse ajudá-lo. Colocou a mão em concha sobre o foco da mini-lanterna e usou a sua luz para ver o que era o outro objecto: um artigo de jornal laminado. O que lá vinha não lhe dizia rigorosamente nada; já o que vinha no verso deixou-o em sobressalto.

Ele vai-te matar.

A mensagem assustou-o e fê-lo deixar cair a mini-lanterna para baixo de um dos bancos. Baixou-se para apanhá-la e sentiu os dedos tocarem em algo metálico e frio. Não precisava de saber quem era ou onde estava para saber que se tratava de uma pistola; também não precisava de pensar muito para perceber que só tinha uma oportunidade para agir.

Pegou na pistola e na mini-lanterna e saiu do barco, esperando que quem mais estivesse ali não tivesse dado ainda pela sua presença. Viu uma silhueta subir a bordo do barco e começar a vasculhá-lo. Decidiu não perder tempo.

Avançou sorrateiro, apontou a arma – era matar ou ser morto – e disparou. O inimigo tombou. Entre o alívio e a ansiedade, aponto-lhe a mini-lanterna à cara para o identificar.

Não lhe reconheceu o rosto, mas reconheceu as roupas: iguais às suas, não só em padrões e tecidos, mas também em rasgões e remendos.

Estava a olhar para ele próprio.»

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