Um Cappuccino Vermelho: Primeiras palavras

Ao fim de tantos anos, aquele que foi o meu primeiro romance chega, finalmente, às mãos do grande público. Para quem não conhece a história por detrás deste livro, Um Cappuccino Vermelho foi escrito entre 2001 e 2002, a propósito da primeira edição do Prémio Literário FNAC/Teorema. Não fui o contemplado com o tão desejado prémio, mas não foi isso que me impulsionou a escrever. Aliás, creio que nenhum escritor escreve com essa pretensão em vista. O seu objectivo principal é contar uma história que toque o maior número possível de pessoas. Se a este reconhecimento do público juntar-se um reconhecimento da crítica, pois tanto melhor.
 
Um Cappuccino Vermelho foi uma história que surgiu por acaso. Entre as várias ideias que andavam à solta pela minha mente e aquelas que tinha na gaveta, acabei por não escolher nenhuma delas. Em vez disso acabou por ser uma estranha com quem me cruzei no Metro por não mais que sessenta segundos que desencadeou uma sucessão frenética de ideias que, depois de processadas, viriam a dar origem a este livro. Acredito que a história principal teria surgido inevitavelmente mas, sem esta pessoa , faltaria qualquer coisa.
 
O primeiro rascunho d’Um Cappuccino Vermelho foi escrito em menos de dois meses. Embora tivesse uma ideia geral da história, estava a escrever sem rumo. Obriguei-me então a parar e a reformular tudo do início. Estabelecidos um princípio, meio e fim concretos, recomecei a escrita. Nesta fase de revisão e reescrita sinto-me obrigado a agradecer a dois espaços pelo ambiente que me proporcionaram: a Biblioteca Municipal Camões, na Calçada do Combro e o já encerrado, mas nunca esquecido, Storia del Caffè na Rua do Ouro.
 
Agora que sabia o que tinha para escrever, a história fluía com maior celeridade. No entanto, saber o que tinha para escrever não significava escrever isso. O esboço final d’Um Cappuccino Vermelho que eu tinha em mente não era aquele que eu acabei por escrever. Foi um caso claro de uma história que escapou ao controlo do seu autor. Talvez a parte menos consciente de mim estivesse consciente que o meu final não era o mais adequado.
 
O feedback recebido por amigos que leram a primeira versão corrigida do livro, embora suspeito, fez-me acreditar que tinha uma hipótese no já mencionado concurso FNAC/Teorema. Não tive, mas não foi por isso que deixei de acreditar neste livro. Das várias pessoas que estiveram presentes nesta fase, há duas que sou obrigado a mencionar.
 
A primeira é a Vera Marmelo, a única pessoa que me fotografou enquanto eu escrevia o livro. À sucapa, devo dizer. Podem apreciar o trabalho dela aqui e aqui.
 
A segunda pessoa a referir é a Irina Rosa. A Irina, para mim, ficará sempre conhecida como o meu F7 pessoal. Foi a primeira pessoa a ler o livro e, em vez de se limitar a ler e a apreciar (ou não), deu-se ao trabalho de apontar os erros ortográficos que eu tinha deixado passar.
 
Haverão mais pessoas a quem agradecer, certamente. Entre elas estão o meu irmão Miguel Gomes (visitem o seu site aqui), que desenhou a primeira capa do livro e que desenhará a capa da nova edição; e Firoz Abdul Satar, patrão de então e amigo de agora, que me deu tempo e recursos para escrever e imprimir os vários exemplares de que precisava para o tal concurso.
 
Os anos foram passando e Um Cappuccino Vermelho foi ficando na gaveta, à espera duma oportunidade que nunca mais surgia. Entre 2009 e 2010 escrevi um segundo romance (A Imagem). A história era totalmente diferente da d’Um Cappuccino Vermelho, embora o modo como surgiu – uma sucessão de ideias desencadeada por um momento fugaz – tenha sido muito idêntico. Tão idêntico que, quando deu por isso, estava a introduzir personagens do livro anterior e a escrever uma sequela temática.
 
Quando terminei de escrever A Imagem decidi que estava na hora de tirar Um Cappuccino Vermelho. Fiz uma reescrita completa do primeiro livro, acertando os factos entre este e o seu sucessor e solicitei à Irina Rosa que fizesse uma revisão exaustiva.
 
Quase dez anos depois, e após ter apresentado o livro a várias editoras sem sucesso, preparo-me para editá-lo através de edição de autor. Vai ser um grande investimento da minha parte, mas acredito que vai colher frutos. Não sou pretencioso ao ponto de dizer que é a melhor história do mundo mas, que raio!, também não é das piores. Como autor sou obrigado a acreditar no seu potencial, mas a opinião final é sempre sua, caro leitor.
 
É consigo que conto.

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