Caixas personalizadas

O Marco Lopes (aka “Senhor Luvas”) pediu-me que lhe enviasse os episódios mais recentes das séries O MAL HUMANO e INTERSECÇÕES.

O que ele recebeu foi isto:

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Isto são todos os episódios (até à data) de O MAL HUMANO e de INTERSECÇÕES, mais o episódio 0 de O ÚLTIMO, marcadores de livros, postais, etc. (A IMAGEM e contos avulsos foram uma oferta). A caixa é uma edição única, impressa com o nome do leitor.

Preço de venda (com portes incluídos e talvez mais algum brinde): 26,50€

O Natal está aí. Fica a dica.

O Mal Humano: APREENSÃO (Destaque #6)

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Último excerto da semana. Breve contextualização: após ver Dinis disparar contra dois polícias, Fernando vai em auxílio destes. Apesar de tudo o que aconteceu, Fernando tenta chamar o ex-colega (ex-amigo?) à razão. Dinis tenta justificar as suas acções de alguma forma, mas ambos sabem que isso não é fácil.

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Alcancei-os sem interferências e agachei-me junto deles. Tomei-lhes a pulsação. Estava fraca, mas estava lá.

“Eles são bons agentes”, disse o Dinis. “Não tinha interesse nenhum em matá-los.”

A voz dele pareceu-me vir primeiro da esquerda, depois da direita, depois percebi que o vento não seria meu aliado.

“Foste mesmo tu?”

Não precisava de ser mais específico.

“Alguém tinha de o fazer.”

“Não podemos tomar a lei nas nossas mãos.”

“Não se trata de lei.”

Ergui-me e olhei em volta. Ele teimava em não se deixar ver. Parecia que tinha ficado arraçado de ilusionista desde a última vez que o vira.

“A mulher que encontrámos não foi a única. Sabes disso, não sabes?”

Acenei, mesmo que ele não me estivesse a ver.

“Desde que comecei a minha investigação, descobri mais nomes, mais fotos. Mais corpos.” Fez uma pausa antes de continuar. “Ainda achas que ele não merecia?”

“Ele até merecia pior, mas não podemos ser nós a decidir isso. Muito menos a fazer.”

“Se não nós, quem? Quem barrou a investigação?, quem arquivou o caso?, quem tentou destruir provas? É nesses que queres confiar?”

“Tenho de confiar em alguma coisa.”

“Então confia em mim.”

Olhei para os dois polícias inanimados. Podiam não ter sido mortos, mas teriam dores valentes quando acordassem.

“Lamento, mas não posso. Mas tu podes.”

“É tarde demais para voltar atrás.”

O Mal Humano: APREENSÃO (Destaques #4 e #5)

aprens-twt6Curiosidade sobre a minha vida pessoal que poderá não ter qualquer interesse para ti: ontem acordei perto das 11h30. Como tal, foi-me completamente impossível preparar o excerto de ontem. Para atenuar essa falha, hoje há dose dupla.

No primeiro excerto, Fernando e Dinis discutem os motivos do encerramento do caso que estavam a investigar e as implicações internas e externas dessa situação. Apesar de ambos concordarem com o que aconteceu, o modo como cada um exprime a sua desilusão perante isso é bem diferente. Nesta cena são referidos nomes que virão a fazer parte da equipa, e há também Green Sands.

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“Não posso crer que eles mandaram mesmo encerrar o caso”, queixou-se o Dinis.

“Tecnicamente foi arquivado”, disse eu.

Era tudo uma questão de semântica e ele sabia disso tão bem como eu. “Encerrar, suspender, arquivar, é tudo a mesma merda. Se fosse um Zé Ninguém qualquer tinha ido logo parar com os costados à choldra. É o que dá ter amigos nos sítios certos.”

Não podia concordar mais com ele.

Estávamos numa esplanada com vista para o rio. O São Jorge cruzava o Tejo em direcção à capital. Não muito longe de nós, algumas crianças brincavam no esqueleto do velho avião, sob o olhar atento das suas mães.

“Lembras-te quando o André era assim pequeno?”

Acenei. Não tinha sido assim há tanto tempo.

“Como é que eu posso esperar protegê-los, se não sou capaz de fazer o meu trabalho como deve ser?”

Não sabia o que havia de lhe dizer, por isso tentei mudar de assunto.

“Precisamos de mais gente na Brigada.”

“Para quê? Se depois não podemos investigar os casos como é suposto, de que é que serve?”

“Foi um caso, pá!”

“É o suficiente.” Tomou um golo do seu Green Sands. “Começo a achar que isto foi uma má ideia.”

“Queres desistir ao primeiro obstáculo que encontramos? Depois de todo o trabalho que tivemos para pôr isto a funcionar? Depois de tudo o que já conseguimos?”

O Dinis atirou a beata do cigarro para a estrada. Não aprovei o gesto, mas não disse nada.

“Sei lá. Talvez esteja a falar de cabeça quente.”

“Óptimo. Como eu dizia há pouco, precisamos de mais gente.”

“Não desistes, pois não?”

“Fiz uma pequena lista de possíveis candidatos.” Tirei um bloco de notas do bolso. “O primeiro chama-se Hélder…”



 

Neste segundo excerto assistimos ao reencontro de Fernando e Dinis meses após o desaparecimento deste último. Fernando percebe que muita coisa mudou desde a última vez que tinham estado juntos, mas está longe de imaginar até que ponto.

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A estrada na Serra não tinha intersecções para o interior rochoso ou para o abismo profundo, por isso não tardou muito para que avistasse as luzes azuis e vermelhas cintilando por entre a chuva.

Apesar da distância, conseguira alcançá-los com alguma facilidade. Demasiada facilidade, diria até. Era como se tivessem atrasado de propósito. Recusei essa hipótese de tão rebuscada que era. Provavelmente não estavam habituados a conduzir naquelas condições e iam em modo caracol.

Reduzi para os mínimos e liguei as escovas no máximo. Estava mais perto do que havia estado durante toda a viagem, mas confiava que a forte tormenta que caía me escudasse de ser visto.

Continuámos sem novidades a registar por mais alguns quilómetros. Devíamos estar em viagem há mais de meia hora.

Estaria o meu palpite errado?

O carro-patrulha fez pisca para a direita e foi engolido pela Serra. Continuei até ao ponto do desaparecimento e percebi que havia ali um caminho. Vinte metros à frente estava uma pequena casa.

O carro-patrulha parou a poucos metros da porta, os dois agentes saíram e dirigiram-se até lá. Continuei a marcha. Era difícil não me verem. E mesmo que vissem, não fazia diferença. O mal já estava feito.

Mas não me viram. Nenhum deles olhou para trás e eu pude avançar quase até ao carro-patrulha.

Foi então que ele abriu a porta. Ele, o Dinis. Tinha um ar tão lastimável quanto inquietante: barba por fazer, cabelo desgrenhado e o olhar de um homem perdido — um homem assombrado e assustado por algo que reduzira a sua aura de confiança a uma amostra frágil do que era antes.

Não conseguia perceber o que lhe tinha acontecido, mas sabia que aqueles dois polícias a baterem-lhe à porta a meio da noite não justificavam o terror que vivia no seu olhar.

Encostei o carro, saí e avancei em direcção ao trio.

Não sabia se era da chuva, do cansaço, do intenso turbilhão de emoções que fazia com que aquela tormenta parecesse insignificante mas, a cada passo que dava, parecia que a postura do Dinis se alterava de uma maneira difícil de explicar.

Parados à chuva, o único som que ali se ouvia era a água que caía. Quando as vozes ganharam alguma nitidez, o inesperado aconteceu e o Dinis viu-me.

A parte de ser visto não foi inesperada. Já o que ele fez a seguir, foi um balde de água fria do qual eu jamais recuperarei.

Não importava o que ele fizera antes, ou por que é que o fizera — importava o ali e o agora.

O momento em que o Dinis puxou de uma pistola e disparou à queima-roupa sobre os dois agentes foi o momento em que eu percebi que o meu amigo já não existia.

O Mal Humano: APREENSÃO (Destaque #4)

Durante a sua busca por Dinis, Fernando regressa a um local que já tinha sido ponto de encontro acidental num passado já distante. Desta feita, o regresso é calculado. Mas só até certo ponto. Fernando sabe onde vai, mas não ao que vai. Dado os extremos a que o amigo chegou, receia que possa ser tarde demais para o ajudar.

(Apesar de não fazer grande alarde disso, o restaurante onde esta parte da acção decorre é o mesmo da história IGUARIA, do João Dias Martins. Não é fundamental para a história, mas é uma curiosidade que fica.)

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Visto de fora o espaço parecia estar igual. Certas zonas das paredes tinham a tinta a descascar, de resto era como se os anos tivessem passado ao lado. A única diferença assinalável era um catrapázio a anunciar aquele como o melhor restaurante da zona. O melhor, tinha dúvidas que fosse, mas o único era capaz de ser.

No parque de estacionamento estavam três carros civis e um carro patrulha da Polícia Urbana. Foi inevitável pensar que a sua presença ali não era uma coincidência, apesar de saber que era. A não ser que o Dinis tivesse contactado mais alguém, seria muito difícil que eles estivessem ali por minha causa. Difícil, mas não impossível. Não podia pôr de parte a hipótese de algum colega andar a seguir-me.

Saí do carro e dirigi-me ao restaurante.

A casa estava quase às moscas. Os dois agentes da PU estavam sentados ao balcão — um bebia um sumo, o outro lia o Desportivo do dia. Um dos empregados passava um pano nas mesas, enquanto o outro preparava uma caixa com croquetes.

Pronta a encomenda, fechou-a e colocou-a em cima do balcão. O agente dobrou o jornal e enfiou-o debaixo do braço.

Alcancei o balcão e cumprimentei os presentes. “Boa noite.”

“Peço imensa desculpa, mas estamos mesmo quase a fechar”, disse o empregado ao balcão.

Notei o enfado, mas não fiz caso. Estar mesmo quase não era o mesmo que estar. “Era só uma informação, se possível.”

“Diga lá.”

Puxei da foto do Dinis que trazia no bolso, desdobrei-a e exibi-a.

“Não posso dizer que conheça.”

“Ele costuma, ou costumava, vir cá”, expliquei.

“Vem cá muita gente.”

O polícia com os croquetes espreitou e houve reconhecimento. “É o Lino.”

“Lopes”, corrigi-o. “Conhece-o?”

“Sei quem é.”

Mas não ia dizer mais sem saber as minhas intenções.

“Fizemos a tropa juntos. Ele disse-me que morava para aqui.”

O outro agente terminou o seu sumo e aproveitou para se imiscuir na conversa. “Essa foto é muito recente.”

“O meu colega tem razão”, disse o primeiro agente. “Há quanto tempo é que diz que não o vê?”

Quem eram estes? Starsky e Hutch?

“Pensando bem, é melhor vir cá noutra altura.”

Preparava-me para sair quando senti uma mão agarrar-me no braço. O meu corpo reagiu por instinto: torci o braço ao agente que me tocara e encostei-o ao balcão. O outro puxou da sua pistola, mas antes que pudesse usá-la, já eu tinha a minha apontada.

Adeus discrição.

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